segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mawaru Penguindrum

Oi. Hoje estou deixando aqui uma análise (até que enfim) que tive a sorte de preparar tranquilamente. Aqui falarei de um anime emocionante, fofo e calmo (nem tanto) que tive o prazer de começar devido à um comentário no twitter. Tentei fazer o texto ficar bem limpo e claro, então acho que ninguém terá dificuldades em o ler. Ah, contém spoilers! 
A história começa com um prólogo sobre destino, nos fazendo refletir sobre o que seria esse "destino", que apesar de já ter sido escrito nos obriga a vivê-lo e a passar por todos os sofrimentos e felicidades por ele orquestrados. Bem, e afinal, o destino realmente existe? Não é apenas uma escapatória que as pessoas encontraram para ficarem sentadas esperando sua vida, já escrita, passar? Em Mawaru Penguindrum, logo na sinopse encontramos dois irmãos tentando driblar esse destino, lutando para evitar a morte inevitável (sentiram os antônimos?) de sua irmã caçula, que sofre de uma doença terminal.
Himari, Kanba e Shoma formam uma família de irmãos que, após um atentado e a fuga de seus pais, principais suspeitos, vivem sozinhos em uma casa no subúrbio de Tóquio. Eles praticamente brincam de casinha, sendo que essa tranquilidade acaba quando Kanba e Shoma descobrem que Himari está com os dias contados. Num passeio, após comprarem um estranho chapéu de pinguim, Himari é encontrada desmaiada e levada ao hospital, onde morre. Tudo parecia estar perdido, mas como tudo isso ocorre no primeiro episódio, onde tudo estava começando, algo aconteceria. Num quarto fechado, diante do corpo coberto da irmã, os irmãos entram em desespero, mas esta situação não demora muito, já que Himari, com o chapéu-pinguim sobre a cabeça, levanta e começa a falar em estratégia de sobrevivência. A partir desse dia toda vez que Himari coloca esse chapéu ela entra em uma espécie de transe, sendo que uma espécie de princesa alienígena pinguim passa a controlá-la.
Até agora todos os acontecimentos poderiam fechar a ideia de um anime totalmente nonsense, mas ainda no primeiro episódio, para deixar tudo ainda mais confuso (ou não), os irmãos recebem uma caixa com três pinguins, que servirão para ajudá-los numa busca, que posteriormente parece mais absurda do que já é. A 'princesa pinguim' ordena, como uma condição para Himari continuar viva, que eles encontrem o Penguin Drum (tambor pinguim?). Tudo poderia ser mais fácil se a mesma dissesse o que é este Penguin Drum, mas ela só diz que está com Oginome Ringo. Pronto, a trama já está se moldando.
Por conter tantos elementos diferentes no primeiro episódio, muitas pessoas podem até pensar que o anime é ruim. Tá, a questão do incesto levantada no epílogo do primeiro episódio pode até confundir a cabeça de alguns moralistas, mas alerto desde já que nada é o que parece.
Não há dúvidas sobre os simbolismos que existem no anime, sendo que alguns significados para os mesmos são tão pessoais que fica até difícil de dizer aqui. O que percebi logo na abertura é que os dois irmãos, Shota e Kanba, formam uma espécie de yin-yang. Ao assistir cada episódio suscitava em mim essa ideia, pois ambos são o oposto, mas vendo de um outro lado, são completamente iguais. Está bem, parei de filosofar!
Com a missão de obter o Penguin Drum que estava, provavelmente, com uma garota nervosa chamada Ringo, os dois irmãos começam a perseguí-la e descobrem que a mesma é uma perseguidora, que tem como objetivo central de sua perseguição Keiju Tabuki, professor dos dois garotos e amigo de infância de Momoka, irmã de Ringo que morreu no dia em que ela nasceu. Basicamente, por incrível que pareça, a trama toda gira em torno de uma data em especial: 16 anos atrás, dia em que Momoka morre no atentado (sim, aquele já mencionado) e Ringo, Kanba e Shota nascem.
Tudo me leva a crer que, se formos ter em mente os simbolismos do anime, esse atentado fora aquele ocorrido em 1995 ao metrô de Tóquio (podemos verificar isso através do número 95, símbolo que sempre estampa o metrô em momentos peculiares).
A animação pode ser dividida em duas fases: a primeira, com um ar mais cômico, e a segunda, possuindo um ar mais "pesado", devido às fortes revelações. Não posso esquecer de citar como um dos principais responsáveis por esse lado cômico da série, os pinguins. Fofos, inteligentes (?) e numerados de um a três (com exceção da pinguim Esmeralda), possuem as características de seus "donos", sendo que o #1, pinguim de Kanba, é meio tarado; o #2, de Shoma, é muito guloso; e o de Himari, #3, gosta de tricotar. As situações em que eles sempre se encontram enquanto seus "donos" conversam são, na maioria das vezes, hilárias.
Por um bom tempo temos a impressão de que toda a história se focará na Himari e na Ringo, com seu diário do destino e seu Project M, mas a segunda fase, mais obscura que a anterior, começa a mudar a direção da história. Quando eu já estava crendo que o anime seguiria uma direção mais shoujo, com Ringo e Shoma aumentando sua aproximação, tudo muda em um único capítulo, e somos apresentados ao misterioso Sanetoshi, "fantasma" ou "maldição" que agora, após matar vários inocentes, inclusive Momoka, no atentado do metrô, e ter morrido no mesmo, quer tentar novamente realizar seu plano. Que plano seria esse? Destruir o mundo, ou melhor, a sociedade!
Paramos para pensar e decidimos torná-lo o grande vilão da história. Tá, ele é o vilão. Mas se formos analisar todas as histórias tristes por quais cada personagem passou, os grandes vilões não seriam aqueles pais que abandonaram seus filhos na "estufa de crianças" para elas tornarem-se "invisíveis"? Certamente sim. A sociedade também é a grande vilã.
Tudo, em cada episódio, muda muito rápido. Uma hora os pais de Shoma estão ajudando Himari, dando dinheiro para seu "tratamento" à Kanba, outra hora descobrimos que estavam mortos e Kanba delirava imaginando-os. Uma hora os três eram os irmãos unidos e inseparáveis, outra eles não tinham qualquer elo sanguíneo e Himari era a alma gêmea de Shoma. Espera... Não! Tudo é tão rápido, é tanta informação em um instante que ficamos sem entender muita coisa, sendo que muitas vezes é bem melhor voltar a um trecho do episódio.
Natsume, a que pensávamos ser a perseguidora de Kanba, é na verdade sua irmã gêmea. Yuri, uma atriz linda e aparentemente  perfeita é na verdade uma bissexual (ou lésbica?) apaixonada desde criança por Momoka. É com essas e outras que embarcamos no mundo de tantas respostas para perguntas que nem fazíamos ideia que existiam. Quem seriam os pais de Himari? Que fascinação é essa por pinguins? Porque pinguins? Porque tanto Shoma, quanto Kinba estavam presos em caixas? São muitas perguntas que não sei se possuem respostas, mas são essas que deixam tudo mais abstrato do que já é.
Genialidade? Sim. O passado de Tabuki e Yuri, ambos personagens ligados à Ringo, me mostrou algo mais complexo do que uma simples história triste. Mostrar o que eles passaram como crianças, todo o sofrimento, e a descoberta de uma pessoa que dissesse que os amava, me mostrou algo que nunca encontrei em um anime; um aspecto ímpar. Não quero puxar esse texto para comentar as outras histórias, nem mesmo comentar o final do anime. Só queria escrever aqui minhas impressões, pois o final é tão complexo que é preferível assistí-lo, não lê-lo.
Sobre a direção: a série tem como diretor Kunihiko Ikuhara, mesmo diretor de Sailor Moon e Revolutionary Girl Utena
Gastura: para obviamente poupar gastos, colocaram aqueles "bonequinhos que encontramos em placas", para substituir os passantes. A animação é tão boa que vou deixar isso de lado, mas realmente me incomodou.
Curiosidade: a história foi inspirada no livro "Viagem Noturna no Trem da Via Láctea", de Miyazawa Kenji. Ah, e esse livro foi traduzido para o português e pode ser comprado online facilmente! 

Espero que tenham gostado!

2 comentários:

Larissa Aparecida disse...

Olá Raio... estava lendo sua postagem sobre o animè Mawaru Penguindrum porque me interessei pelo assunto desde que comecei a ler "Viagem Noturna no trem da Via Lactea". Não sei se você já leu o livro, mas eu precisava tecer algumas comparações e sinceramente, se há alguma, são muito sutis... O livro é um compêndio de contos diversos que abordam fábulas de tradições japonesas e trazem uma rica cultura engendrada neles. Um desses contos tem o mesmo nome do livro e relata uma viagem de 2 garotos num trem que circula pela Via Láctea e que une astronomia, mágica, sentimentos, dor e histórias paralelas que parecem não se encaixar. Ainda não cheguei ao final do conto nem do livro, mas gostei muito da sua narração do animè e gostaria também de continuar mantendo contato. Tenho um blog também, sobre literatura em geral e vou te adicionar a ele... me siga se quiser. Abraços

Luis Mosqueira disse...

Olá, encontrei sua postagem no Google, quando eu pesquisava pelo anime. Gostei muito de seus comentários e algumas coisas (como o atentado no metrô no Japão) acabei descobrindo aqui.

Realmente não é qualquer um que se dá a oportunidade de assistir o animê, já que a princípio ele pode parecer meio sem sentido e sem objetivo, por isso ter esse olhar mais crítico é importante.

Pode ter certeza que qualquer aspecto desse animê não está lá apenas por estar, seja nos nomes, na aparência dos personagens (inclusive nas cores dos cabelos), no cenário, nos diálogos, nos slogans da companhia do metrô e até nas letras das músicas que aparecem no decorrer da série. Na minha visão, isso gira em torno basicamente do tema central do animê: o destino.

Este (o destino) que é comparado ao metrô, não deixa de aparecer em nenhum momento da série, pois simbolicamente representa a própria vida dos personagens.

A série começa com os três personagens (Himari, Kanba e Shouma) que não têm passado, não têm família; eles têm apenas uns aos outros e parece que no começo, parece ser o suficiente para eles. Eu não me lembro muito bem agora desse diálogo, mas ele aparece tanto no início, quanto no fim da série, quando o Shouma e o Kanba passam conversando na frente da casa deles, onde eles dizem algo como "a morte é o verdadeiro começo" e daí o próprio animê começar de tal forma.

O mais interessante é que alguns personagens, eu até duvidei se realmente existiram (do ponto de vista da trama), como os pais, e o Duplo-H (o idol group das amigas de infância da Himari), já que eles nunca entraram em contato realmente com os personagens, o que me fez crer que estes personagens nada mais são que alter-egos dos irmãos (Kanba e Shouma) criados pela imaginação da Himari, e que na verdade nunca existiram mesmo...

Outro ponto forte na trama é o momento em que não se sabe quem é quem. Quem era irmão, não é mais, quem era um desconhecido passa a ser da família, e assim vai. Mas a meu ver, isso tudo faz parte da própria forma como a ideia de "destino" é posta em discussão no anime. Será que a própria família não seria aquele "destino" inevitável que nos foi traçado mesmo antes de nascermos? Por isso a questão da família é tão discutida, a ponto de chegar a nos fazer pensar sobre o incesto. No final das contas inclusive as relações de parentesco parecem ser suscetíveis as flutuações do destino que se segue no animê. :p

Quanto ao nome de alguns personagens, especificamente a Yuri e a Ringo, percebe-se que a palavra Yuri, na verdade quer dizer amor entre mulheres (lesbianismo), daí as inclinações da própria personagem a este ato. Ringo significa maçã, que simbolicamente representa infinitas coisas, mas no meu ponto de vista, enxerguei a personagem (além da Himari), como a única legitimamente principal (e real), pois a palavra chave para mudar o destino era a pergunta se alguém queria "repartir a maçã do destino", tendo acontecido quando o Shouma salvou a Himari da Estufa Infantil, e mesmo entre Shouma e Kanba, e no final acaba acontecendo com a própria maçã (Ringo), que divide sua maçã do destino com a Himari, que a meu ver, representa uma relação homoafetiva aqui, já que a própria Himari durante sua infância, já sabia o "destino" e a "punição" das primeiras pessoas a povoar a terra (Adão e Eva), porém, a "punição" nada mais era do que viver na terra (o que responde o porque da Himari ter terminado viva :p).

Enfim, sei que essa postagem já tem alguns anos xD, mas é sempre importante deixar disponivel esse tipo de conteúdo na internet.

O animê é muito profundo mesmo O_O e eu nem me atrevo a ir até a parte mais escura, porque daria uma resenha de inúmeras páginas com milhares de referências. No mais, é isso, ótima postagem ;) E agora que descobri seu blog, vou ficar acompanhando mais.

Att.
Filipe