sábado, 7 de julho de 2012

Mangás e HQs - A homossexualidade na mira do mercado e suas polêmicas

Muitos de vocês já devem saber de uma das últimas façanhas da DC, não é? Logo após o primeiro casamento gay da história dos quadrinhos, que ocorreu na Marvel, entre o mutante Estrela Polar e seu companheiro de loga data Kyle Jinadu, na edição #50 de Surpreendentes X-Men, a DC resolveu bater de frente com a concorrente e reintroduzir em um reboot o Lanterna Verde original, Alan Scott, lá de 1940, como gay, o que pode ser visto em Earth 2 #2. Com isso, alguns mal humorados, que se dizem "não preconceituosos, mas não aceitam que seus personagens sejam modificados assim pela indústria", saíram na grande rede esculachando, pois querem seus personagens como eles são, sem modificações. Esse post é dedicado à todos vocês, "especialistas" babacas da blogosfera, que aceitam seus personagens serem mortos, ficarem paraplégicos, mas não gays. E digo mais, certas estão a Marvel e a DC, que não são bobas nem nada, e querem alcançar um mercado em ascensão. Com polêmicas, ou sem polêmicas!
Não é de hoje que esse assunto ronda o universo dos quadrinhos, já que personagens gays são o que não faltam nas encadernações americanas e japonesas. Mas essa retomada do tema pode ser encarada como uma tática de introdução de novos leitores, já que (querendo ou não) o público gay é grande. No oriente esse tipo de material não visa tanto o público gay, e sim o público feminino, com seus yaois, sendo que para gays mesmo existe outro 'gênero', o bara. É compreendendo essas divisões que se pode fazer associações, e até observar que até em shoujos e shounens podemos encontrar relacionamentos homossexuais não explícitos, como é o caso de Sakura Card Captor (o shoujo do estúdio Clamp mais conhecido no mundo) e o aclamado Kuroshitsuji, ou Black Butler, de Yana Toboso (shounen que chega às bancas brasileiras em julho pela Panini).
Qual o motivo da polêmica?
A DC fez um reboot (quando se pega um personagem e se reseta toda sua história; um novo recomeço; do zero) da história de Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde, considerado uma lenda até, que após 70 anos de sua criação volta em uma repaginada gay. Nessa nova história, Alan aparece com um namorado, ao qual faz um pedido de casamento (esse HQ tem direito até a beijo desentupidor de pia). Bom, esse "novo" personagem pertence ao universo paralelo da DC, ou multiverso, chamado Earth 2 (Terra 2).
O que anda revoltando alguns seres é que Alan Scott tem um filho (Manto Negro, que aliás é gay), é um reflexo da perfeição (olhos azuis, corpo esbelto, cabelos dourados; tudo aquilo que você imaginaria de padrão no 'american way of life'), e é engenheiro de estradas de ferro, ou seja, ele tem todas as características de um macho alpha perfeito (e cheio de clichês). Na cabeça desses "não-preconceituosos", a DC não poderia mexer com esse personagem dessa maneira porque ele é foda demais, e ele ser gay seria uma coisa que acabaria com tudo isso. Acho tudo isso uma completa babaquice e penso o contrário.
Alan Scott, um personagem desse porte ter virado gay, tudo isso para alavancar as vendas da DC e chamar novos leitores, é um fator positivo para provar que as grandes empresas pensam no público gay como forte e decisivo. É uma atitude louvável isso partir de uma revista americana, e de peso, porque marca uma quebra de antigas barreiras, e isso sim pode mudar muita coisa, levantando debates sobre as uniões homoafetivas na terra do Tio Sam. Sim, as revistas conseguiram chamar atenção da mídia não-especializada e venderam/venderão como água. Além de tudo isso, acho que temos que problematizar o que levou essas duas empresas a apostarem nesse tipo de público.
É lógico que a DC não é uma boazinha que simpatiza pela causa e quer ajudar. O que posso concluir com tudo isso é que há aquele velho interesse capitalista por trás desse golpe de publicidade. Há uns vinte anos atrás HQs vendiam aos milhões, hoje esse número caiu para (mais ou menos) cem mil, ou seja, as editoras estão sentindo na pele essa queda abrupta no consumo, e isso tudo está sendo refletido em suas revistas, que estão aparecendo com um roteiro mais "apelativo", e realmente feito para causar e vender. O grande público tem sua atenção chamada por essas polêmicas, e é isso que faz com que mais dinheiro vá para as editoras. E é assim que elas pretendem viver felizes para sempre...
Porém nem tudo é só felicidade. Com essa edição número #2 de Earth 2, já pode-se notar que houve uma queda nas vendas de brinquedos do herói verdinho. Pois é, esse golpe de marketing da DC Comics já começou a gerar seus efeitos negativos, mas... Pera, afinal fomos iludidos! Como assim, produção?
DC, já um mês depois de se mostrar "sem preconceitos" (ops, falha minha), na Earth - 2 #3 já mata o personagem gay, não o principal, mas sim o namorado. Ooooou seja, a DC tava afim apenas de provocar burburinhos, já que com isso chamaria atenção e dinheiro, só que, ou por falta de criatividade, ou por homofobia mesmo (opinião dos radicais), ela já mata o personagem gay na revista seguinte. Agora já podemos cronometrar quanto tempo demorará para que Alan arranje uma namoradA. Sim, amigos, sim! Estou com medo. Lista de personagens gays podemos encontrar aos montes, porém até quando...? Até quando a sexualidade desses personagens será encarada como ponto negativo?
No mundo onde para qualquer coisa subir de audiência há a exibição de mulheres peladas, acho que são hipócritas aqueles que abrem a boca para falar desse golpe de marketing da DC e da Marvel, afinal, matar um herói , ou até alterar a nacionalidade dele, só pra vender revistas também deveria ser debatido. Acho que o personagem ser gay, ou não, não importa. No final ele sempre acabará sendo um herói, salvando o mundo, com ou sem genkidama, gostando de homem ou de mulher.
O bom de tudo isso é acender um debate sobre o preconceito, sobre a homofobia. A mídia influencia SIM a visão das pessoas, e porque não abrir um diálogo sobre preconceito dentro desse espaço? Sim, eles só querem ganhar dinheiro, mas podemos aproveitar essa deixa.
Batwoman, a lésbica sexy das HQs.
E pra finalizar esse texto, já que quero ir jantar: será que não somos preconceituosos apenas por acharmos que não? Pensem nisso: será que só por vocês não suportarem ver o Lanterna Verde feliz e com namoradO, vocês não estariam nutrindo um preconceito? Eu creio, muito duramente, que sim!
Temos que rever nossos conceitos!

3 comentários:

Lucas Loureiro disse...

Adorei seu post, quero permissão para colocar no meu hblog, está muito bem explicado e escrito. posso? *.*

bjs

May-chan disse...

Lendo o seu texto, muita coisa fez sentido e eu concordo, claro, que a sexualidade de um personagem não devia ser um fator decisivo para os fãs gostarem ou desgostarem dele. Qual o problema do Lanterna Verde ser gay?
Nenhum.

Eu só acho que você se perdeu quando criticou a morte do namorado dele. Sei lá, foi rápido, foi. Mas não acho que isso queira dizer que a DC ou a Marvel sejam homofóbicas e só queriam ganhar o público. Plot twists assim chamam a atenção do leitor, fazem ele sofrer com o personagem. É uma coisa normal de acontecer para mover a história. Você só vai poder afirmar isso se, daqui a algum tempo, o Lanterna Verde arrumar uma namorada, mudando sua sexualidade sem motivo algum, mas até lá, seu argumento não tem tanto fundamento, entende?

Desculpa o texto gigante XD
Achei muito interessante seu texto, de verdade, e certíssimo, foi só esse ponto que me incomodou.

Primeira vez visitando o blog, mas voltarei, pode ter certeza ^^'
Beijos.

Raio disse...

Quando coloquei como se a DC fosse "homofóbica" estava apenas citando uma das opiniões que ouvi, tanto que do lado coloquei "opinião dos radicais". Acho realmente que a DC foi covarde e "arregou". Tinha tudo pra continuar, mas ela preferiu acabar com essa polêmica logo na edição posterior àquela na qual mostra uma nova face do Lanterna.
Quando ao Lanterna no futuro ter uma namorada, na verdade eu não afirmei nada com relação a isso, estava apenas tentando prever um futuro; fazendo hipóteses.
Obrigada por seu comentário! ^^

Bjos!