sexta-feira, 10 de agosto de 2012

MeruPuri - minha viagem por um encantador universo criado por Matsuri Hino

Se sou levada pelo charme e fascínio de uma obra de Matsuri Hino toda vez que assisto ou leio algo criado por ela? Desculpem-me os esperançosos, mas a resposta é sim. Não somente pelos traços, que superam muitos que já vi, devido aos pequenos detalhes e contornos, mas também pelo roteiro, que à primeira vista pode parecer simples, mas à medida que os capítulos se seguem o clichê toma uma forma diferente, e aquilo que já fora visto antes vira algo inédito. Com personagens que seguem esteriótipos, e uma história simples, mas incrementada, MeruPuri me roubou uma noite... E que noite!
Como muitos devem saber, Matsuri Hino também assina a história e a arte de Vampire Knight, uma das obras mais cool da atualidade, que muitas e muitas vezes já esteve em topos de rankings, principalmente nos Estados Unidos, onde já é uma obra venerada. Hino, conhecida também por ser uma mangaká de traços refinados, e que, como consta em sua biografia, tornou-se mangaká após nove meses da decisão de virar uma, com apenas essas obras já fincou seu nome na 'elite do mangá'. Podem chamá-la de prodígio, mas para ter sua arte aprimorada precisaram de anos e, como a mesma justifica, era seu costume desenhar casas, flores, sua mãe, seu pai e, posteriormente, garotas de vestido da escola. Sim, ela é um prodígio, porém não 'baixou' uma mangaká habilidosa nela repentinamente... Foi, inegavelmente, uma habilidade que adquiriu com o tempo.
Em suas histórias, ela não cai na mesmice, já que costuma variar tanto as personalidades dos protagonistas, quanto o tipo de enredo e gênero, variando de magos à piratas, e de piratas à vampiros com excelência. Ok, Wanted não é nenhum sucesso estrondoso, mas pretendo ler o volume único assim que possível, já que provavelmente não terei arrependimentos.
Ainda sobre MeruPuri, a história gira em torno de Hoshina Aili, uma jovem colegial que, de tanto ver novela (ou dorama/drama), sonha em encontrar a pessoa predestinada a ser seu amor verdadeiro. Certo dia, à caminho da escola, um príncipe de 7 anos sai de seu pequeno espelho em forma de septagrama, espelho este que ganhara de sua bisavó. Esse príncipe, cujo nome é Aster-ae-Daemonia Eucarystia Alam, veio de um reino mágico chamado Aster fugindo de seu meio-irmão Jeile, que lançou um feitiço em Alam que o faz envelhecer 10 anos ao ficar em um ambiente escuro. Como não há de ser diferente, para voltar à sua idade original Alam precisa ser beijado pela garota por quem está apaixonado, e essa garota, segundo ele, é Aili.
Alguns podem até achar essa sinopse estranha, pelo menos o foi para mim, mas a autora brinca tão bem com o fato de um envolvimento romântico entre uma criança e uma adolescente que não achei a história nem um pouco ofensiva ou polêmica. Certo, Alam tem 7 anos e Aili é uma adolescente de 15, mas o envolvimento de Aili com ele começa quando ela começa a se sentir atraída pelo Alam adolescente. O menino certamente insiste muito para que ela o beije, mas é como se ela tivesse de lidar com um adolescente infantil, e não com uma criança propriamente dita, já que Alam mostra ser muito maduro para a idade. Não sei como ela conseguiu tirar essa carga polêmica da obra, só sei que funcionou e dissolvi o resto muito bem, se bem que a história se trata de uma ficção sobrenatural, então estamos passivos a tudo!
O casal, apesar da diferença de idades, tem um relacionamento digno de Malhação, o que você pode comprovar na imagem acima. Sim, esse aí foi o lindo primeiro beijo dos dois! Uma outra cartada da mangaká foi a parte cômica, que foi encubida à Jeile, o tarado irmão de Alam. Ele simplesmente "apaixona-se" por Aili e resolve transformá-la em sua esposa número um. Sabe quando só de o personagem aparecer o ambiente da história muda? Isso sempre ocorre quando o personagem entra em cena e, podem me julgar, mas acho ele muito parecido com o Kagerou, de Inu Boku SS.
Segundo a própria mangaká, Alam e Jeile são os personagens que não possuem nenhum aspecto de sua personalidade, e talvez seja por isso que sejam seus favoritos. Já Aili é barulhenta, um dos lados de Hino. Talvez Aili se mostre um tanto quanto superficial, mas mesmo assim não desgosto dela. Sobre os "vilões", acho melhor não adiantar nada, já que surgem com o decorrer dos capítulos.
MeruPuri possui quatro volumes, personagens carismáticos e uma boa história. Os traços são muito bem feitos e eficientes, o que já é característica de Matsuri Hino, e o clímax é bem trabalhado. Serve como um bom entretenimento. Realmente não tenho o que me queixar de MeruPuri - Märchen Prince (ao pé da letra 'História de Príncipe', combinação de uma palavra em alemão e outra em inglês), que considero um shoujo agradável e simples. Bom, para os desavisados, o título já foi licenciado no Brasil pela Panini, e eu mesma já o vi numa loja, então já podem começar a garimpar. 

Fui!



Um comentário:

Lanny disse...

Resolvi ler MeruPuri porque amo Vampire Knight, logo imaginei que a qualidade era equivalente. E é, afinal fez um belo de um sucesso, mas a proposta não foi o suficiente pra me empolgar. Bem, dei umas boas risadas nos desvaneio de Aili, que vive imaginando como seu "par" lidaria com certas situações da vida de "casados", etc. Mas não passou disso. Não sei o que mais me incomoda, se é por ser uma história envolvendo mágica e feitiços, ou se é por causa da mentalidade madura de Alam (mas isso se justifica com a rigorosa educação comum em famílias do alto escalão), ou se é o fato de ser um casal formado por um menino de 7 anos e uma garota de 15. É uma relação pura, mas não deixa de me dar arrepios. ಠ_ಠ'
Apesar de tudo, admiro muito a autora por conseguir fazer boas histórias não importando o tema (e por ter um traço tão lindo e característico), só por isso não coloco meus volumes de MeruPuri à venda. :X