quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Suki-tte Ii Na Yo - Anime x Mangá

Temporada Outono 2012 se foi, mas aqui no blog ela ainda vai render muita pauta. Devo confessar que comecei a acompanhar todos os três shoujos dessa season, mas no final só um me pareceu digno de uma possível segunda temporada, e esse foi Tonari no Kaibutsu-kun. Sim, o anime 'romance com comédia' foi o que mais me agradou. Suki-tte Ii Na Yo, que começou sendo super discutido (positivamente, claro), terminou totalmente sem sentido (talvez porque seu mangá ainda esteja em andamento), e teve um romance meloso demais, o que também acontece no mangá, mas não da mesma forma. Fazendo esse contraponto anime x mangá espero fazer uma análise justa desse título, que por mais fofo que pareça, acabou trabalhando vários temas polêmicos da atualidade.
Resumidamente falando, a história trata do relacionamento entre Mei Tachibana, a garota 'esquisita' da escola, e Yamato Kurosawa, o aluno mais popular. Mei, que sempre procurou se afastar das pessoas por não conseguir confiar em ninguém, acaba se apaixonando por Yamato, que a princípio só se aproxima da garota por achá-la interessante. É uma história bem clichê, diga-se de passagem, mas não se deixe enganar.
Há vários elementos que diferenciam esta obra dos outros shoujos, sendo que talvez o principal esteja na forma de abordagem. A maneira como Kanae Hazuki aborda temas como bullying, comprimento das saias das garotas japonesas, casos de estupro, entre outros, já nos faz perceber o motivo que leva Suki-tte Ii Na Yo a ter tanto destaque recentemente, estando sempre nos tops de maiores vendagens.
É incrível o que um estúdio de animação pode fazer com meras 42 páginas de um mangá. Assim que assisti aos 24 minutos do primeiro episódio percebi a leveza das cores, a linda animação, e a ótima dublagem, tudo junto formando uma sequência cativante de cenas. Me senti verdadeiramente tocada com a maneira que a história foi exposta. Realmente achei que tinha encontrado meu 'anime poesia', aquele que sempre assistiria para me tranquilizar, mas... Ao passar dos episódios a história foi evoluindo, os protagonistas foram crescendo, mas o sussurro de tranquilidade que o primeiro episódio me transmitiu não se repetiu. Aos poucos Suki-tte Ii Na Yo vai cansando o telespectador, talvez por aparentar ser um melodrama, ou até por ter uma protagonista muito apagada. Podem me achar louca, mas as alterações do anime para com o mangá me incomodaram bastante. No anime vemos o relacionamento deles de uma forma doce demais, quase no estilo de Kimi ni Todoke, o que no mangá é repelido por diálogos que tratam mais abertamente a sexualidade dos personagens.
Por exemplo, um capítulo importante do mangá, o 5, foi excluído da versão animada. No mangá os dois casais principais fazem uma pequena viagem, sendo que nela Yamato quer fazer sexo com Mei. O engraçado é que Kanae Hazuki, a mangaká, mostra o momento de uma forma cômica, onde Mei ameaça Yamato, para assim ele se afastar e desistir. É nesse momento que eles conversam, e depois Yamato a presenteia com as famosas pulseirinhas, tudo isso no mesmo capítulo. Ok, no mangá a autora tem mais liberdade, ao contrário do estúdio de animação, que tem que filtrar as cenas por conta da televisão. Entendo tudo isso, mas achei realmente uma pena essa parte não estar no anime... Rolo de rir só em pensar na reação da Mei quando ela acha uma camisinha na mala. haha
Realmente acho que a evolução dos dois protagonistas dependeu muito desses momentos 'cômicos', e foi por isso que senti algo vago no anime. Senti falta do Yamato travesso, do Yamato adolescente. O anime focou tanto na parte fofa da relação dos dois, que esqueceu de mostrar um pouco de como realmente é uma relação 'jovial'. Kanae Hazuki tem todas as minhas palmas nesse sentido.
Sobre a abordagem de assuntos polêmicos, tanto o anime quanto o mangá tratam praticamente das mesmas questões, sendo a principal o bullying. De uma forma geral, todos os personagens vivenciam ou vivenciaram algo marcante em suas vidas, como no caso de Aiko, a garota que inicialmente é rival de Mei. Aiko até alguns anos atrás era uma garota gordinha e, consequentemente, com a auto-estima lá em baixo. Certa vez Yamato, ao ver a garota entrar em um surto por sua aparência, decide ajudá-la, e acaba dormindo com ela. O passo a passo dessa fase é muito mais emocionante no mangá, quando apenas em alguns quadros a mangaká nos faz sentir o que realmente a personagem passou para emagrecer. Tudo no mangá é lindo, mais estonteante.
Enfim, talvez por ter tido meu primeiro contato com Suki-tte Ii Na Yo através do mangá, o anime não conseguiu chegar nem perto das minhas expectativas. Realmente esperava mais. Mas nem tudo foi ruim, muito pelo contrário. O anime também carrega essa carga de superação que o mangá transmite, e o design ficou realmente maravilhoso. Não sou totalmente a favor do anime, já que nele várias sequências do mangá foram alteradas, mas a animação trouxe uma nova visão de tudo aquilo que tinha visto em preto e branco. Indico que leiam o mangá antes de assistirem o anime, já que assim será mais fácil de não se sentir 'perdido' nas lacunas que o anime traz.

E mais uma vez o anime não conseguiu alcançar o mangá.

Um comentário:

Animes Femininos disse...

Assim como outras dezenas de mangás, Sukitte ii na yo não foi bem representado no anime. A edição de cenas foi cruel, retirando partes muito boas e deixando enormes vazios na história. Afinal, quem não achou estranha a arrebatadora paixão instantânea de Kai e a entrada repentina de alguns personagens no anime? Mesmo assim acho que Sukitte merecia sim uma segunda temporada e que, bem ou mal, os três shoujos da temporada de outono do ano passado superam, e muito, os desse ano.