segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Kobato - A reunião de diversos mundos Clamp

Depois de muito pensar, resolvi escrever uma análise sobre o anime que assisti ontem e que terminei hoje de manhã, quando o sol já havia nascido. Para os que não me conhecem, costumo virar a noite assistindo anime, mas para que isso aconteça é necessário que o mesmo seja tão bom a ponto de conseguir despistar toda a minha sonolência. Não se trata de nada extravagante, e tampouco ímpar, mas sim de uma história com aspectos antes vistos, e que mesmo assim consegue surpreender. Sim, me refiro a uma obra Clamp.
Conheci Kobato quando o anime ainda estava sendo transmitido no Japão, sendo que até tentei fazer o download do primeiro episódio, mas não obtive êxito devido à minha internet tartaruga. Acabei deixando Kobato de lado durante todo esse tempo, sempre adiando, até que a JBC licenciou o mangá no Brasil e me trouxe novamente a vontade adormecida. Apesar de tudo isso, só agora respirei fundo e assisti o anime que, por sinal, é uma fofura. A respeito dos aspectos antes vistos, não me referi a história como um todo, mas sim a pequenos "clichês" Clamp, como o fato de o protagonista ter ao seu lado um guardião em forma de bichinho de pelúcia, ou também ao fato de haver uma conexão entre os outros universos do grupo, como xxxHolic e Tsubasa. O termo clichê está entre aspas porque não consigo pensar nisso como um molde, uma repetição, mas sim como uma característica do estúdio.
Kobato conta a história de uma garota chamada Kobato Hanato, que para realizar seu desejo precisa curar o coração das pessoas, coletando-os em uma garrafa mágica. Para sua missão ela conta com a ajuda de Ioryogi, um cachorrinho de pelúcia que tem um humor parecido com o de Kurogane, de Tsubasa. Na verdade Ioryogi não é seu nome verdadeiro, e sua forma original é um segredo (menos para aqueles que leram o final do mangá). Em resumo, a menina tem uma missão e, na tentativa de cumpri-la, se apaixona aos poucos por Kiyokazu Fujimoto, um certo personagem que tem uma personalidade bem parecida com a de Touya Kinomoto, de CCS.
Outra coisa que o personagem tem em comum com o Touya é o fato de trabalhar em vários bicos, sendo que ambos até trabalham no mesmo local (clique aqui e veja). Assisti Kobato com mais entusiasmo devido ao Fujimoto, mas com o passar dos episódios fui ficando mais empolgada por encontrar outros personagens Clamp na obra. Não era como em Tsubasa, que o personagem vive em outra dimensão e não se lembra de nada, mas sim o personagem em sua rotina, como quando Ginsei encontra Watanuki, ou quando Kobato abriga Kurogane, Fay, Syaoran e Mokona, quando os mesmos ainda estão viajando pelas dimensões, o que corresponde aos acontecimentos posteriores à Tsubasa. Então, como já foi dito, Clamp segue com suas características mais marcantes.
Não fiquei encantada apenas com os personagens principais, mas também com os personagens secundários, principalmente com o casal Kohaku e Shuichiro Kudo, que protagonizam Wish, outra obra do estúdio. O mangá de 4 volumes conta a história de Kohaku, um anjo que ao vir para a Terra acaba ficando preso em uma árvore e sendo atacado por um corvo, sendo posteriormente resgatado por um jovem médico, Shuichiro. Como forma de agradecimento Kohaku se dispõe a realizar um desejo de seu salvador, contudo Shuichiro recusa, pois acredita que nada lhe falta e que o ser humano deve fazer de seus desejos realidade. Kohaku então decide ficar ao seu lado até que possa lhe conceder um desejo.
O que me encantou na história dos dois, e que é mencionado em Kobato de forma paralela, é o fato de os dois serem destinados um para o outro: toda vez que Shuichiro morre, Kohaku o espera reencarnar. Sobre Wish (clique aqui para baixar), gostaria de mencionar um ponto que não sou muito a favor: vi que alguns sites rotulam o mangá como shounen-ai (amor entre garotos). Apesar de ser fujoshi, não me sinto à vontade com esta definição, pois Kohaku é um anjo, e anjo não tem sexo. Digamos que Kohaku seja de um gênero neutro, mas por sua personalidade tender para o lado feminino, ele pode até ser considerado "ela". Falando em mundos Clamp, os dois também participam em alguns capítulos de Drug & Drop, outro mangá do grupo.
Continuando a falar sobre Wish, outro personagem que as duas séries tem em comum é o coelho Ushagi, um mensageiro de Deus. Segundo o Clamp Project, o personagem foi baseado em uma lenda budista, onde uma raposa, um macaco e um coelho encontram um homem pedindo por comida. Para alimentar o velho senhor, os dois primeiros oferecem frutas e pescado, mas como o coelho não possui habilidades para conseguir tais alimentos, o mesmo oferece seu corpo para saciar a fome do homem. O homem então se revela como Sakra, que tocado pela virtude do coelho, o imortaliza na lua. Ushagi (etimologicamente falando) significa entidade em forma de coelho.
Além de tudo o que mencionei, gostei de Kobato devido a outros aspectos. O roteiro integra, além da história que envolve a creche onde Kobato trabalha, os personagens a ela associados, e a própria protagonista, outros personagens e suas histórias paralelas. Outro quesito que deixa o anime mais encantador é, sem dúvida, a trilha sonora, principalmente a música Ashita Kuru Hi, que Kobato interpreta em vários episódios, inclusive no lindo e estonteante final.
Sobre o final da história, a única coisa que posso comentar é que tudo funcionou. É certo que o final do anime é um pouco muito diferente do final do mangá, mas ao comparar os dois você nota o motivo das alterações: o final do anime te faz querer chorar, enquanto o do mangá é simples, parado.

Uma bela história. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Kuroshitsuji terá filme live action em 2013

Por essa ninguém esperava: Black Butler (Kuroshitsuji) terá uma adaptação live action. O mangá, que ainda está em andamento, e que está sendo publicado aqui no Brasil pela Panini, tendo ainda um anime de duas temporadas, terá um filme live action previsto para 2013. Sim, 2013!
Segundo o Oricon Style, o filme será estrelado por Hiro Mizushima, que viverá o mordomo Sebastian Michaelis. O longa conta ainda com a união de outros dois nomes, ambos na direção: Kentaro Otani, que dirigiu o live action de Nana, e Keiichi Sato, diretor do anime Tiger & Bunny. Además, a história do filme acontecerá 130 anos após os eventos do mangá, o que já nos faz concluir que a mesma será bem original, sem repetecos.
O filme começará a ser rodado em abril (sim, abril se escreve com letra minúscula), e sua estréia está agendada para o verão japonês.

Comentários: ainda estou tentando engolir as primeiras imagens do ator como Sebastian. Não me senti seduzida em nenhum momento... Mas, espero por uma atuação fiel. Daqui para abril alguns outros nomes serão anunciados, e dentre eles o do ator que viverá Ciel (ou até se o personagem fará ou não parte da trama). Ficarei na torcida.

Beijos purpurinados.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Suki-tte Ii Na Yo - Anime x Mangá

Temporada Outono 2012 se foi, mas aqui no blog ela ainda vai render muita pauta. Devo confessar que comecei a acompanhar todos os três shoujos dessa season, mas no final só um me pareceu digno de uma possível segunda temporada, e esse foi Tonari no Kaibutsu-kun. Sim, o anime 'romance com comédia' foi o que mais me agradou. Suki-tte Ii Na Yo, que começou sendo super discutido (positivamente, claro), terminou totalmente sem sentido (talvez porque seu mangá ainda esteja em andamento), e teve um romance meloso demais, o que também acontece no mangá, mas não da mesma forma. Fazendo esse contraponto anime x mangá espero fazer uma análise justa desse título, que por mais fofo que pareça, acabou trabalhando vários temas polêmicos da atualidade.
Resumidamente falando, a história trata do relacionamento entre Mei Tachibana, a garota 'esquisita' da escola, e Yamato Kurosawa, o aluno mais popular. Mei, que sempre procurou se afastar das pessoas por não conseguir confiar em ninguém, acaba se apaixonando por Yamato, que a princípio só se aproxima da garota por achá-la interessante. É uma história bem clichê, diga-se de passagem, mas não se deixe enganar.
Há vários elementos que diferenciam esta obra dos outros shoujos, sendo que talvez o principal esteja na forma de abordagem. A maneira como Kanae Hazuki aborda temas como bullying, comprimento das saias das garotas japonesas, casos de estupro, entre outros, já nos faz perceber o motivo que leva Suki-tte Ii Na Yo a ter tanto destaque recentemente, estando sempre nos tops de maiores vendagens.
É incrível o que um estúdio de animação pode fazer com meras 42 páginas de um mangá. Assim que assisti aos 24 minutos do primeiro episódio percebi a leveza das cores, a linda animação, e a ótima dublagem, tudo junto formando uma sequência cativante de cenas. Me senti verdadeiramente tocada com a maneira que a história foi exposta. Realmente achei que tinha encontrado meu 'anime poesia', aquele que sempre assistiria para me tranquilizar, mas... Ao passar dos episódios a história foi evoluindo, os protagonistas foram crescendo, mas o sussurro de tranquilidade que o primeiro episódio me transmitiu não se repetiu. Aos poucos Suki-tte Ii Na Yo vai cansando o telespectador, talvez por aparentar ser um melodrama, ou até por ter uma protagonista muito apagada. Podem me achar louca, mas as alterações do anime para com o mangá me incomodaram bastante. No anime vemos o relacionamento deles de uma forma doce demais, quase no estilo de Kimi ni Todoke, o que no mangá é repelido por diálogos que tratam mais abertamente a sexualidade dos personagens.
Por exemplo, um capítulo importante do mangá, o 5, foi excluído da versão animada. No mangá os dois casais principais fazem uma pequena viagem, sendo que nela Yamato quer fazer sexo com Mei. O engraçado é que Kanae Hazuki, a mangaká, mostra o momento de uma forma cômica, onde Mei ameaça Yamato, para assim ele se afastar e desistir. É nesse momento que eles conversam, e depois Yamato a presenteia com as famosas pulseirinhas, tudo isso no mesmo capítulo. Ok, no mangá a autora tem mais liberdade, ao contrário do estúdio de animação, que tem que filtrar as cenas por conta da televisão. Entendo tudo isso, mas achei realmente uma pena essa parte não estar no anime... Rolo de rir só em pensar na reação da Mei quando ela acha uma camisinha na mala. haha
Realmente acho que a evolução dos dois protagonistas dependeu muito desses momentos 'cômicos', e foi por isso que senti algo vago no anime. Senti falta do Yamato travesso, do Yamato adolescente. O anime focou tanto na parte fofa da relação dos dois, que esqueceu de mostrar um pouco de como realmente é uma relação 'jovial'. Kanae Hazuki tem todas as minhas palmas nesse sentido.
Sobre a abordagem de assuntos polêmicos, tanto o anime quanto o mangá tratam praticamente das mesmas questões, sendo a principal o bullying. De uma forma geral, todos os personagens vivenciam ou vivenciaram algo marcante em suas vidas, como no caso de Aiko, a garota que inicialmente é rival de Mei. Aiko até alguns anos atrás era uma garota gordinha e, consequentemente, com a auto-estima lá em baixo. Certa vez Yamato, ao ver a garota entrar em um surto por sua aparência, decide ajudá-la, e acaba dormindo com ela. O passo a passo dessa fase é muito mais emocionante no mangá, quando apenas em alguns quadros a mangaká nos faz sentir o que realmente a personagem passou para emagrecer. Tudo no mangá é lindo, mais estonteante.
Enfim, talvez por ter tido meu primeiro contato com Suki-tte Ii Na Yo através do mangá, o anime não conseguiu chegar nem perto das minhas expectativas. Realmente esperava mais. Mas nem tudo foi ruim, muito pelo contrário. O anime também carrega essa carga de superação que o mangá transmite, e o design ficou realmente maravilhoso. Não sou totalmente a favor do anime, já que nele várias sequências do mangá foram alteradas, mas a animação trouxe uma nova visão de tudo aquilo que tinha visto em preto e branco. Indico que leiam o mangá antes de assistirem o anime, já que assim será mais fácil de não se sentir 'perdido' nas lacunas que o anime traz.

E mais uma vez o anime não conseguiu alcançar o mangá.